quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Mata-psicologia e meta-arte


Hoje eu vim falar de Psicanálise. Não que nunca tenha falado dela, não que ela esteja ausente em outros textos por mim escritos, mas hoje eu vim falar especificamente de Psicanálise.

Já que viso me deter nesse tema, não posso esquecer do vienense audacioso que inventou lá a tal “arte”. Para Freud, a sua Psicanálise é a metapsicologia, uma Psicologia, assim, que vai além, para além dela mesma, para além do consciente e , especialmente, para além do individuo, buscando o sujeito, aquele que mora aonde não pensa.

Eu vejo a Psicanálise como uma arte, ou, se eu quiser seguir o “criador”, é mesmo uma meta-arte essa tal de teoria psicanalítica. Pesadelo da medicina positivista ocidental, revolução paradigmática, a Psicanálise nos interroga a todo momento, nunca fornecendo respostas. Digo que o que ela faz é mais o trabalho de semear a discórdia do que de plantar a harmonia – haja visto ser criação de uma mente judia, sentimentalismo cristão ou noções de piedade e fraternidade parecem não combinar com a tal arte.

Mas, o que seria uma meta-arte? Por que eu falo que isso se parece ou pode ser mesmo identificado com a criação freudiana?

Para além da arte. Não é esse o caso daqueles que se debruçam diante de uma obra literária, de um filme, de uma poesia, de um quadro, até numa música? Essas são criaturas curiosas que buscam psicanálise em todo lugar, em todo lugar que haja sujeito do inconsciente, por isso sujeito do desejo.

Acho que a meta-arte não está apenas quando se analisa uma obra de arte, não, não é como a poesia de Drummond, que falava da metalinguagem da poesia; a minha definição de meta-arte não equivale ao psicanalista que, por ser afeiçoado a literatura ou a pintura, resolve investigá-las sob o viés da teoria psicanalítica.

Na verdade, toda a Psicanálise, toda a tarefa do psicanalista consiste numa meta-arte, presente na escuta e, como toda a arte exige um mínimo de talento, então, cabe analisar o que há de tão especial.

Freud que me perdoe, sei que não sou ninguém para julgá-lo, digo mesmo que é uma personalidade por mim muito estimada, que tem feito a diferença na minha vida. No entanto, não concordo que a criação freudiana seja resumida a uma metapsicologia. Se me permitem o trocadilho, na verdade, um ato falho, considero que seja a Psicanálise uma mata-psicologia.

Parece que essa foi pesada. Mata-psicologia, meta-arte. Do que diabos essa criatura está falando, alguém pode pensar. Mata tudo antes concebido, mata aquela psicologia de auto-ajuda que abarrota as livrarias, mata a psicologia que abomina ouvir falar no tal Acheronte nosso de cada dia. Mata mesmo e nada mais artístico do que matar o que está estabelecido.

É nesse ponto que cabe agora a explicação sobre a tal meta arte. Eu digo arte, porque não é a todo mundo que a Psicanálise é passível de aplicação. E com isso eu não falo de pacientes, não falo aqui de pré-requisitos necessários para uma pessoa poder deitar-se num divã.

Eu falo do analista. Nem todo mundo pode sê-lo, não basta querer. Nada disso é especial, afinal, para ser jogador de futebol também não basta querer, é preciso saber chutar.

Por isso, nem todos podem ser analistas, o que é fantastico. Um sujeito pode saber de cor todas as virgulas escritas por Freud em suas obras, pode ter decifrado todos os matemas lacanianos e suas fórmulas complexas, pode ter até desatado o nó borromeu, mas, escutar, escutar com um ouvido psicanalítico, aí sim, aí é preciso arte: Meta-arte.

O mais triste de tudo isso é que muita gente jura que faz Psicanálise,muita gente – o que é grave – abre consultórios jurando que é disso de que se trata. No entanto, há psicanalistas sem anel (vide a sociedades das quartas-feiras criada por Freud), há
psicanalistas sem formação do IPA (international psychoanalitic association), há mesmo psicanalistas aonde menos se espera. Alguns desses são até melhores do que os pretensos freudianos ou do que os esnobes lacanianos.

Tal como há algo de podre no reino da Dinamarca, no reino de Freud parece que muita coisa não cheira bem também. É preciso arte, e é preciso ouvidos, muito mais do que bocas, para dar a cara a bater , mesmo que esse outro esteja de costas.

Não é a sabedoria de botequim que se vende por aí que faz alguém entender de psicanálise, tampouco é apontar atos falhos a torto e a direito. Não, Psicanálise também não é saber fazer trocadilhos legais em torno de palavras que, realmente, pedem muito uma piada de duplo sentido (apesar de algumas “sumidades” lacanianas utilizarem demasiadamente tal artifício).

É aí na encenação que se faz no setting nosso de cada dia que é preciso arte. Não digo tanto talento dramático, mas saber escutar, despojar-se até de Freud, largar os livros, e apenas escutar. Saber escutar, o que nada tem a ver com o ouvir.

Eu não sou psicanalista, o que eu sou é uma reles recém formada na tal psicologia, quem dera um dia ser formada na mata-psicologia. No entanto, eu acho que tenho algum respaldo pra dizer que fazer Psicanálise vai além de ler Freud, vai além da ignorância que diz-se sábia, e vai além da pretensão.

Fazer Psicanálise, me parece, é uma outra história. Faz-se no contato com o outro, faz-se na entrega à transferência que, certamente, um dia virá. Fazer psicanálise, pra mim, é saber que não vai se escapar à contra-transferência e nada que não se pareça com isso é Psicanálise.

Cabe também dizer, que para ocupar o lugar do “sujeito suposto saber” do qual fala Lacan, é preciso mais, bem mais que teoria; é preciso dimensionar-se enquanto humano, e , humano é errar, humano é falha por excelência. Caso fosse o contrário, não seria chamado de suposto.

Acredite, é apenas suposto, você não é uma criatura melhor do que os outros porque é psicanalista ou pretende sê-lo, você não é mais inteligente, nem mesmo mais astuto.

Você não é melhor que ninguém porque está na poltrona e não no divã.Você nem mesmo é alguém, porque ali você é um pai, uma mãe reeditada.

No máximo o que você pode ter é um ouvido agudo e afeiçoado à arte. Meta arte é o que tentamos ao escutar um discurso com outros olhos e ouvidos.

Portanto, vamos entender que da verdade ninguém sabe. Se Freud não dominou a própria criação, o inconsciente, não vai ser um qualquer que conseguirá; lembre-se que você também tem o seu, não só a criatura dita perturbada, a que pede atendimento. Então, contente-se em ser um artista ao escutar e console-se com isto.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A cola do mosaico

“ O que havia em você que eu pudesse influenciar? Seu cérebro? Ele era subdesenvolvido. Sua imaginação? Ela estava morta. Seu coração? Ainda não tinha nascido”

Oscar Wilde



Essa frase parece ilustrar de forma adequada o que acontece depois da idealização, sobretudo, o que ocorre quando alguém despenca do pedestal no qual o mantivemos por algum tempo.
Alfred , ou simplesmente “Bosie” foi a criatura merecedora dessa e tantas outras frases cheirando a ódio de Oscar.
Em “Di Profundis , o até hoje polêmico autor irlandês resolve varrer para além do tapete – certamente persa – toda a tristeza e o ressentimento que lhe foi causado pelo amor desmedido e por isso, fatal.
O livro parece mais uma enciclopédia de ofensas e, por isso, um bom lugar pra se aprender todo o tipo de humilhação que se possa infligir a algum outro.
No entanto, o livro nada mais é do que uma tentativa de sublimar, de dizer sobre esse amor tão cruel capaz de ofuscar o gênio do autor, levando-o à miséria e, finalmente, à morte.
Quando estamos magoados, quando algo nos atinge de tal maneira que não restam palavras, somente estas, paradoxalmente, podem nos salvar.
É um tal de escreve daqui, lê dali que vai ocupando todo um espaço na nossa mente, antes preenchido por uma mistura de vácuo e de sentimentos ruins, dirigidos a uma pessoa, certamente “algoz” da nossa existência, ou simplesmente o vilão da história da qual somos protagonistas (lembre-se que sempre procuramos responsabilizar um outro pela nossa dor, conveniente, não?).
Claro que existem outros modos de sublimação, a arte é o que fazemos com os pedaços de nós, na tentativa de voltarmos a um estado original (imaginário, diga-se de passagem) onde dor nenhuma existia, onde tudo era alegria.
Sublimar é uma arte, mesmo que não tenhamos o talento de Wilde, nem os pincéis de Picasso, nem o conhecimento de Freud. Cada um de nós está imbuído nessa atividade, na construção de um mosaico no qual as peças somos nós mesmos , ou o que restou de nós, depois de todas as avarias que vamos sofrendo durante nossas existências.
Há quem diga que se sublima de tudo, mas, eu acredito que muito da arte que foi sendo constituída ao longo dos séculos, mesmo representativa de movimentos culturais diversos, produto de um contexto sócio cultural específico está cheia de dores de amor, de ressentimento por causa do objeto amado perdido ou nunca alcançado.
A alma, essa, juntamente com o inconsciente, permanece, e está bem ali, na nossa frente. No entanto, os livros de história procuram classificar toda atividade artística de acordo com características específicas. A isso se chama “estilo”. Engraçado é que inconsciente não conhece estilo, nem escola, nem teoria. Inconsciente dói, desatina, antes mesmo de alguém ousar descobri-lo, desde que o mundo é mundo.
Portanto, o que digo nada mais é do que repetir que, para o inconsciente não há tempo, não importa se estamos falando da arte renascentista, de arte moderna, pós moderna. Ali, há sempre um inconsciente, atemporal, e, melhor ainda: igual ao meu e ao seu.
Por sermos tão “irmãos em inconsciente” é que podemos nos identificar com as palavras, produtos de sublimação, de autores tão distantes da nossa realidade, que podemos sentir algo com a arte de um pintor tão longínquo, podemos nos emocionar com uma canção. Por quê?
Porque falam das coisas tão comuns, tão simples, sejam elas dores de amor, dores de existir, angustia, dúvida quanto ao propósito da vida...
Essa cumplicidade inconsciente permite que as palavras de Wilde ecoem e sejam valorizadas até hoje, aqui ou na Inglaterra, não importa, somos os mesmos e sofremos igualmente.
Quando não encontramos elixir melhor pra sanar nossa dor, talvez quando toda uma farmácia não é suficiente, quando parece que não vai cicatrizar, que procuramos a arte que há em nós.
Claro que algumas pessoas fazem com maestria esse trabalho de transformar a dor em alguma coisa bela, como Wilde, outros, nem tanto, o que importa mesmo não é o talento nem o reconhecimento do outro, mas, simplesmente pôr para fora, de alguma maneira, varrer, e não para baixo do nosso tapete, nossos sentimentos.
Eu fico aqui pensando...será que algum dia chegamos a concluir essa tarefa de mosaico? Será que podemos um dia nos considerar finalmente “curados” das marcas que a existência vai nos deixando? Enfim, será que um dia não será necessário sublimar?
Não consigo achar respostas para algumas dessas perguntas, talvez porque nada na vida se pareça com respostas, ou não é a existência um longo caminho em busca destas? Nos constituímos na busca de algo, sempre na busca, mobilizada pelo nosso desejo.
Por isso, vamos atrás das nossas glórias, assim como vamos atrás das nossas desgraças particulares, nessa busca, vamos nos quebrando, nos colando, para quebrarmos de novo, em uma busca constante. De que? De respostas.
E , se um dia, acontece de as encontrarmos? Estaremos certamente mortos, não restará muito o que fazer por essas bandas, a existência simplesmente não nos seria possível. Algo estaria podre dentro de nós, viveríamos num estado de dormência profunda. Aí sim, sublimar não seria possível.
Acho que temos mesmo é que procurar a nossa arte, tão nossa, e fazer desta a cola e o cimento do nosso mosaico. Mesmo que o talento não nos renda reconhecimento público, nem fama, nem dinheiro. Sublimar é preciso, é tão indispensável à vida como oxigênio.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A verdade por trás de um texto sentimentalóide

Há muito conheci um texto bastante simpático utilizado por muitas meninas em seus blogs, fotologs, orkuts e afins...Fala sobre o desejo de encontrar um homem que tivesse atingido a perfeição, de acordo com os critérios femininos ali expostos. Quis utilizá-lo e trazer algumas explicações, crendo que haja mensagens subliminares que precisem ser desvendadas. Então aí vai. O texto original está grafado em rosa, para combinar com o clima de romantismo das moçoilas.
1) Encontre um homem que te chame de linda em vez de gostosa.


Ok, considerando que o “linda” prepara o terreno para que ele possa dizer, finalmente, o “gostosa” , eu não sei bem a diferença entre um adjetivo e outro, se os dois, de acordo com a cabeça masculina, querem dizer apenas uma coisa, e você, linda, deve saber o que é.


2) Que te ligue de volta quando você desligar na cara dele.


Mas, lindona, eu não consigo entender, me parece que o desejo é ter um homem submisso e completamente embasbacado, no qual se possa pisar, se possa pintar e bordar. Seria uma boa também começar a perceber qual é a da sua necessidade histérica de desligar o telefone na cara do coitado.

3) Que deite embaixo das estrelas e escute as batidas do seu coração.


Cá entre nós, não sei que diabos é “deitar embaixo de estrelas”, talvez fosse melhor dizer mesmo que estão no chão, curtindo olhar o céu, que , por ventura, estava estrelado na tal noite. Quanto ao músculo cardíaco, recomendo um check-up de urgência, pois, caso o dito cujo consiga escutar os batimentos do seu coração, deve ser devido a alguma arritmia, ou algo que o valha. Linda, muitas vezes o romantismo é melhor vivido quando lido, em uma obra de Shakespeare, ou mesmo Lord Byron. Mas, por favor, como se trata de mal-do-século, vá logo ver o problema do seu coração. De repente se alastra para o pulmão, vira uma tuberculose...

4) Que permaneça acordado só para observar você dormindo.

Além de querer um babaca que ligue de volta, mesmo quando a princesa desliga devido a um ataque histérico, o coitado ainda precisa possuir uma audição supersônica, e, não satisfeita, o dito cujo ainda deve dispensar as horas sagradas de seu sono, apenas a olhar e admirar a lindona, que estará, obviamente, dormindo, com rodelas de pepino em torno dos olhos, para não cansar a sua beleza. Sim, ele deve estar acordado observando tudo isso.

5) Espere um homem que te beije na testa.

O que há de especial em um beijo na testa? Por que este deve ser mais valorizado do que um simples beijo, em qualquer outro lugar? Seria mesmo a repetição do primeiro tópico: O beijo pode até ser na testa, mas certamente, se ele o dá, é porque pretende conhecer o resto da anatomia, e a testa é apenas o começo. Tudo caso pensado, não se iluda.

6) Que queira te mostrar para todo mundo mesmo quando você está suada.

Essa eu realmente não entendi. Por acaso vocês são figurantes em algum comercial de desodorante, ou algo do tipo? Por que o orgulho em mostrar a namorada/ficante/esposa/noiva deve advir de algo tão repugnante como o suor? E, ainda: Será que você gostaria de exibir o seu querido para suas amiguinhas, mesmo quando ele está fedendo a gambá morto,a uma mistura agradável de grama e lama, com aquele uniforme surrado? Não, né? Então não deseje aos outros o que você não quer para si.

7) Que te acompanhe para ver um romance mesmo que o preferido dele seja terror.


Mais uma vez, apelo à submissão masculina. O coitado não tem direito nem a ver um filme que ele goste, tudo porque a bonitinha quer ir ver um filme estrelado pela Jennifer Lopez, com o qual ela possa se identificar e , por alguns instantes, supor-se a própria Jennifer, em suas desventuras amorosas. Garanto que, além de agüentar essa xaropada, o pobre diabo ainda tem que ouvir as lamentações da histérica, e , obviamente, não fazer pouco das lágrimas desnecessárias vertidas por ela. Isso não deve ser tão diferente de um filme de terror.

8) Que segure sua mão na frente dos amigos dele.

Eu só posso concluir que essa mulher é muito insegura mesmo. Tudo me parece ser uma questão de platéia. A lindona adora um palco, e o coitado, submisso que é, tem que segurar a mão da donzela incansavelmente e, lembre-se, mesmo suada. Quando os amigos forem embora, aí ele pode soltar. Era mesmo pra os outros verem, que o amor é tão grande, mas tão grande que eles já não se desgrudam. Lembre-se: O que importa é que os amigos vejam.

9) Encontre um homem que te ache a mulher mais bonita do mundo mesmo quando você está sem nenhuma maquiagem.


Pra começar, não deve ser difícil encontrar esse homem. Ele é exatamente o mesmo que está encostado em algum muro, ou parado em qualquer esquina, ou sentado em qualquer botequim, palitando os dentes e olhando para a parte posterior do seu corpo, disposto, obviamente a dizer-lhe que você é o mais lindo ser já visto na face da terra.
Encontrar um homem assim é mais fácil do que achar formiga em açucareiro. O problema está quando você começa a acreditar. E, cá pra nós, é muito narcisismo da sua parte imaginar ser a mulher mais bonita do mundo. Por um acaso você o acha parecido com um Richard Gere, com um Jude Law? Não, então, não seja hipócrita. Você não é a mulher mais bonita do mundo, nem mesmo usando maquiagem, e o coitado não tem a mínima obrigação de achar que você é. Se ele disser que é está mentindo deslavadamente.

10) Que insista em te segurar pela cintura.

Certamente ela leu em algum livro – do Lord Byron – que romântico é mesmo o homem que segura uma mulher pela cintura. Porém, não percebe que ele pode, muito bem, segurar você pela cintura com a única intenção de provar a si e aos “amigos dele”, cuja opinião é tão importante para a lindona, que a mocinha tem dono, é propriedade dele e ele a segura por onde bem quiser. Não se espante se esse homem começar a te segurar pela cintura e, depois de alguns meses, já esteja puxando pelos cabelos. É tudo uma questão de tempo.

11) Que te abrace de surpresa na frente de todos.

Olha, isso ta ficando chato hein? Mais uma vez parece que o importante mesmo são as demonstrações públicas de afeto. “Ora, não importa, meu bem que entre quatro paredes você me espanque, ou grite comigo ou mesmo não queira ver os meus filmes de comédia romântica. O que importa é que você me abrace na frente de todos, e, olha, por favor, de surpresa , ta? Para que eu possa ter no rosto a carinha mais meiga de pessoa surpreendida com o gesto de carinho do homem perfeito”. É sempre bom que haja três ou quatro amigos dispostos a ver tal cena idílica.

12) Que te lembra constantemente o quanto ele se preocupa com você e o quanto ele é sortudo por estar ao seu lado.

Em resumo: O infeliz não poderia ter fortuna maior em sua vida que não seja essa mulher, tão maravilhosamente bela, e única. Sim, nem se ganhasse na megasena o coitado seria tão feliz do que é , simplesmente por respirar o ar que você respira. Não sendo o bastante dizer-se sortudo, tem mesmo é que repetir constantemente que ela é o sol da sua vida. Tem que se preocupar se a princesa está feliz , também, em ouvir 5 vezes por dia que ela é a coisa mais importante da sua existência. Se ele não disser, pode ter certeza que ela vai perguntar. Ai dele se não disser.
Aonde ele acharia alguém como você? Suponho que não existe, e você está fazendo é um favor a esse pobre coitado de estar com ele, a sorte é toda dele, você o faz por caridade. Na verdade, você já nem sabe mais porque diabos foi se juntar com alguém tão miserável assim, não é? Você, na certa já pensa que merece mais, quem sabe um daqueles amigos dele a quem você deseja se exibir...

13) Espere um homem que com certeza está esperando por você.

Mas, então, como saber que a criatura está esperando justo por você? Ele deve estar esperando a primeira histérica que passar por ele, jogando um olharzinho indiscreto, ao qual ela supõe ser “sedutor”, que passe a mão no cabelo e esteja esperando platéia. Ora, não vá pensando que ele espera por você. Ele espera pela primeira que fizer isso. Você foi, apenas, a bola da vez.

14) Que responda as suas atitudes em relação a ele.


Essa eu não entendi. Além da submissão, o homem deve, além de tudo, entender a cabecinha da donzela e responder as atitudes dela, mesmo que essas atitudes sejam pautadas em sentimentos inseguros, impulsivos, neuróticos e sentimentalóides. Sim, ela deseja uma cópia de si mesma. Praticamente efeminou o rapaz.

15) Que olhe para você e com emoção diga EU TE AMO MUITO

Entenderam né? Então o que importa é dizer que ama, mesmo que ele receba mensagens sacanas da próxima bola da vez no celular dele toda madrugada, mesmo que ele já esteja encontrado a outra. O importante é nunca perder a ternura. Se possível, chorar durante a declaração de amor. Soa mais convincente, e ela nem vai desconfiar do encontro com a outra lindona.

16) Que vire para os amigos e diga É ELA! É ELA A GAROTA Q EU SEMPRE SONHEI E ESPEREI...

Conclusão: O que ela deseja é um idiota que seja submisso a seus caprichos mimados e sem sentido, que a sustente e que, acima de tudo, mas acima de todas as coisas, faça sua propaganda para os amigos, sempre dispostos a darem uma olhadela, assim, como quem não quer nada, para a mulher do amigo. Pode ficar certa, que, além de submisso, o coitado ainda será traído, e pelo melhor amigo! Ela acabará desfilando por aí com outro a quem desejará efeminar e arruinar a vida, enquanto ele, aquele que era obrigado a ouvir as batidas do coração, a ficar acordado toda noite, a ver filme romântico, estará na mesa de botequim, enchendo a cara, chorando e relembrando a desgraçada. Até uma próxima passar por ele...

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Crônica sobre o mesmo e o diferente ou Crônica sobre as moças dos fotologs

Não é a primeira vez que pergunto aos meus botões quantos artifícios utilizamos pra fugir da mediocridade. Pergunto-me o que faz as pessoas quererem, desejarem mesmo, tão ardentemente , fugirem da mesmice.
O que será que é tão ruim na uniformidade? O que nos impulsiona sempre a tentar mostrar uma identidade outra, que não a nossa, aquela desbotada?
Sejamos realistas: todos nós amamos, odiamos, invejamos, sentimos pânico, sentimos medo. Emoções e sentimentos estão aí para serem estudados, e sabemos que eles não diferem tanto de pessoa para pessoa. Quem nunca disse sentir as pernas bambas, o coração palpitar na frente do ser amado?
Quem nunca morreu de medo de algo até perder a cor? Somos humanos e nada que sentimos é inédito, para nós, e para os outros. Mas, porque não nos conscientizamos que nada em nós é tão extraordinário assim? Por que não assumimos que na verdade somos é da mesma espécie, derivação qualquer dos macaquinhos?
Como vivemos bombardeados por imagens, por todos os lados, tentamos sempre demonstrar que somos outra coisa que não nós mesmos. O que é o orkut que não uma grande fábrica de se inventar personagens?
Assim, meninas insossas e pálidas de espírito podem se definir como bem entenderem, munir-se de suas máquinas digitais potentes e tirarem quantas dúzias de fotografias quiserem, contanto que pareçam mais velhas - ou mais novas - mais engraçadas, mais verdadeiramente interessantes, do que, verdadeiramente, são (geralmente fazem parte de comunidades que revelem um pouco sobre sua farsa identitária).
Dessa forma, as personagens são criadas, alimentando o voyerismo de quem vê e faz comentários em blogs criados com exclusivo intuito de ver exaltada a beleza física, quando não somente, a fictícia inteligência demonstrada através de frases de efeito pseudo-filosóficas, inspiradas em letras de músicas melancólicas.
Eu estou me referindo a meninas, mais especialmente, porque talvez as mulheres tenham mais facilidade em “expressar” as emoções dessa maneira do que os homens, apesar de que, para narcisismo não existe gênero, não existe idade, nem credo. Existe é espelho!
Eu acho engraçado, até mesmo assustador, a proliferação de fotologs na internet cujo único objetivo é expor-se. Expor-se até mesmo em situações corriqueiras, assim: "Eu na sala", “eu escovando os dentes”, “eu me divertindo com amigas”, “eu chorando”, “eu rindo”, “eu no banheiro”. As fotos são postadas diariamente, as paisagens podem até ser modificadas, mas algo permanece fixo: O EU. Está sempre em toda foto.
O Pior disso tudo? O pior é que sempre alguém comenta, assim, “fulana, linda!, como está linda escovando os dentes”!
É como se fulana vivesse eternamente posando, posando até quando dorme, posando e maquiada! E será que compramos essa verdade?
Eu acho é que , se procuramos ser diferentes, vamos tentar por uma outra via? De repente, sendo iguais?? Quem sabe assim somos mais diferentes do que os diferentes que tentam ser outros e acabam se confundindo uns com os outros nas ruas.
Vamos aceitar os nossos rótulos às vezes, vamos aceitar a mesmice que ela também tem seu valor!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Uno Four - When it's real it's forever.

Já faz um tempo que eu quero vir aqui escrever sobre o Uno Four. Preciso de palavras bonitas, aquelas que estão no dicionário apenas por vontade própria, mas que, na verdade, gostam de se exibir nas poesias dos Quintanas, dos Drummonds e das Clarices da vida.
Eu queria mesmo era meia dúzia delas. Assim, como se fosse pão, que se vendesse. Por mais que eu tente, as palavras bonitas e poéticas não vem, elas teimam em sobrevoar a minha cabeça e de lá mesmo sumirem no mundo, nas páginas de alguém, mas não nas minhas.
Eu só queria essas palavras pra poder escrever algo sobre o Uno Four. Um grupo de quatro amigos, e, porque não dizer - espiritamente falando- quatro almas? Ok, se preferem uma metáfora católica...o encontro de quatro irmãos em cristo, unidos por um ideal.
Tudo bem, sei que parece muito sério e todo o tipo de seriedade é desconhecido aos quatro, convenhamos...queria mesmo falar de nós quatro e as palavras, essas as quais procuro, não aparecem, teimam, riem de mim e fogem.
Queria ter o talento de um desses nomes a quem as palavras adoram. Parece que elas vinham fáceis e lépidas e pairavam ali, bem no papel dos poetas que teriam apenas a gratificante missão de eternizá-las...Daí, “Como é bom morrer de amor e continuar vivendo” e tantas outros aglomerados de letrinhas famosos até hoje...
Eu, que não sou Vinícius, também estou longe de ser Florbela. Queria falar dos meus amigos, então, na falta de melhores, vão essas mesmo.
Sinto tanta a falta de vocês, sinto falta dos encontros na cozinha, sinto falta dos insights e dos sorrisos. Sinto falta do bebe-recalca, e também dos outros neologismos criados por nós. Até do famigerado caderninho, eu sinto falta.
Eu sinto falta, e me pego pensando no porquê de tamanho buraco. Penso e repenso e vejo mesmo que é uma questão de encontro de almas. Por que é tudo tão interessante quando estamos juntos? Por que parece que estamos sempre aprendendo, sempre nos compreendendo melhor a cada conversa jogada fora. Jogada fora? Jogada é dentro!
Dentro de cada um de nós, a conversa entra, é digerida e nos transforma em pessoas melhores. Sim, porque eu mudei para melhor, e tenho certeza que vocês também.
Sinto falta do cheiro do café, da vodca e das coisas que não tem cheiro. Sinto falta da macarronada, sinto falta até das milhões de fotos que insistiam em tirar.
Eu sinto falta amigos, eu sinto falta do David, eu já sinto falta dele. Sinto falta do sorriso, da unicidade de uma criatura que, certamente, daqui de dentro do meu coração não sairá. Ele voltará falando mandarim, assim espero. Pode voltar falando árabe, pode voltar até mudo. Mas que volte. Hum, David mudo? Muito mais fácil voltar mudado, mudo não deve ter graça alguma!
Eu sinto falta de Marina, e sentirei muito mais, quando ela também for se aperfeiçoar no mandarim. Eu sinto falta por que ela é ela: querendo adjetivar posso correr o risco de limitar a sua pessoa, coisa que, com certeza, a senhora não é e nem deseja sê-lo. Não há definições, tampouco parâmetros pra medir o que você faz a mim, longe ou perto. Não há dimensões humanas possíveis que possam te colocar em palavras. Então, na falta delas – veja bem, nem as palavras normais e nem as poéticas, as que eu estava procurando, são cabíveis a você – Melhor é desistir.
Sinto falta de Cami, com seu jeito alegre e ao mesmo tempo preocupado, sinto falta do seu caderninho e de seu carinho. De suas preocupações e de seus feedbacks, sinto falta do seu discurso às vezes verborrágico, às vezes agressivo (lembro que ainda trabalho pra você). Sinto falta de você.
Eu sinto falta de Marina, de Camila e de David, eu sinto falta de vocês que já são partes de mim, eu sinto falta de mim com vocês e de vocês comigo. Sinto falta das risadas, sinto falta de nós quatro.
Não vejo outro destino a esse texto do que cair no estilo dramalhão. Não me importo. Vejam, eu queria usar de poesia, não conseguindo, saem só as palavras mais sinceras, menos polidas, mais brutas, mas não menos verdadeiras.
Palavras sem maquiagem, que expressem o que sinto com a falta de vocês, aqui, do meu canto, e vocês, seguindo o caminho de vocês.
Não me importo com o grau de esquizofrenia que esse texto possa sugerir. Eu me importo em apenas dizer, que sem vocês eu não sou eu, que admiro cada um de vocês, no jeito especial que cada um tem.
Agora que chego ao fim do texto, me apareceu um verbo poético, o verbo amar. Será que uso? Uso.
Uso sim, porque sinto. Sinto um imenso amor por cada criaturinha que me faz sentir tão bem só por saber que podemos ter um ao outro. É, eu amo vocês. E qualquer detalhe a mais nesse texto, pode transformá-lo em algo mais dramático.
Isso é apenas um texto de alguém que, não sendo poeta, inventou de colocar verdades numas linhas e começou a sublimar acerca do vazio que é a vida sem vocês. Longa vida ao Uno Four.
(Na verdade em nenhuma palavra e nem em um milhão delas cabem o que sinto por vocês).

terça-feira, novembro 07, 2006

Feminino e Masculino: a Eterna pendenga

Ao se estudar a história da sociedade ocidental, pode-se notar os diversos lugares já ocupados pelo feminino no imaginário do homem. Assim, durante muito tempo foi-lhe atribuído lugar de mistério e até de horror. Segundo Freud, em “O tabu da virgindade” , texto escrito em 1918, o homem tende a ser enfraquecido pela mulher, uma vez que é contaminado por sua feminilidade.
Ora, parece que essa afirmativa deixa-nos vislumbrar por quais motivos, na maioria dos tempos, à mulher é dado um lugar de menos-valia perante a “superioridade” masculina.
Assim, somente há cinqüenta anos as mulheres conseguiram pleitear o direito ao voto, somente há pouco tempo conseguiram se desvencilhar dos domínios do privado, do lar, para adentrar no mercado de trabalho, mundo outrora pertencente exclusivamente aos homens.
Apesar de toda as conquistas alcançadas pelas mulheres ao longo dos séculos, há algo que permanece intrigando: Por que a desvalorização feminina persiste em certos aspectos? Temo que o problema tenha sido ocasionado mesmo pelo excesso de liberalismo proporcionado pela sociedade contemporânea. A sociedade da qual fazemos parte, somos influenciados por e influenciamos.
Portanto, quando se fala em liberalismo, revolta feminina, é difícil não pensar no movimento feminista que chegou ao seu auge em meados dos anos 70 do século passado: queima de sutiãs, mulheres reivindicando os mesmos direitos dos homens, o radicalismo era a tônica do movimento neste princípio.
Apesar de terem obtido muitas vantagens que se tornaram de suma importância nos dias atuais, o movimento feminista radical nada mais reivindicava do que uma oposição de papeis; se antes o “poder” estava centralizado no masculino, vamos revertê-lo, mudar as posições para que assim as mulheres, o feminino comande. Uma inversão de papéis. Nada mais. E onde fica o espaço para a diferença sexual? Será que ainda é necessária?
Atualmente fala-se muito dos erros dos movimentos feministas e ensaia-se um feminismo “paz e amor”, ou um feminismo “light” em que as diferenças entre homens e mulheres são respeitadas, não há mais espaço para aquele afã de mudar o comando, a hierarquia entre os sexos: há espaço para homens e para mulheres.
Fala-se em mulheres livres para assumir tantos papéis quantos lhe convier, dessa forma, a mulher tem direito sim a um espaço no mercado de trabalho, posto que conseguiu uma formação educacional privilegiada que permite-lhe alçar maiores vôos, comandar empresas, serem economicamente ativas e independentes.
Além desse lugar no “mundo dos homens”, a mulher, e falo a mulher por considerar uma grande maioria, ainda pensa em constituir família, em ter filhos e assumir um posto de cuidado no lar. É a assunção da mulher-faz-tudo. Tal como o homem de antigamente, o que consertava tudo em casa. A mulher atual tem sido um pouco assim, “faz tudo”.
Apesar das visíveis mudanças no papel da mulher na sociedade, é importante pensar aqui nas conseqüências dessas alterações. Não podemos esquecer que a sociedade em que falamos é uma sociedade de consumo, gerida pelo reinado das imagens e em que aparência torna-se mais importante que qualidades essenciais.
A mulher que tem, assim, poder econômico, torna-se um sujeito, mas, sobretudo, um sujeito que consume, um sujeito assujeitado aos imperativos da época. Assim, consomem freneticamente os cremes anti-rugas, cirurgias estéticas, cirurgias de redução de estômago, cremes anti-sinais. Um objetivo: fazer-se desejável, minorar as marcas do tempo.
Sim, a mulher além de desejar um lugar no campo público, continua desejando ser vista, admirada e desejada. Olhos do outros são de suma importância, ainda, com todo o feminismo xiita, deseja-se mesmo é a admiração alheia. Para tanto consome, consome como nunca antes.
Nesse contexto consumista é que entra a desvalorização: até que ponto pode-se ir no jogo da conquista? A sociedade fornece as opções, as tentações, o dinheiro os recursos. E o inconsciente , o desejo.
Não me parece por outro motivo que vemos a desvalorização do feminino comparado a um pedaço de carne de boi no frigorífico. Sim, a superexposição do corpo, o corpo todo dado a ver, a supressão de provocação. É a carne exposta, e nada ainda se sabe do feminino, do que é a feminilidade.
Talvez nós nos enganemos ao associar aquilo que se mostra na capa da revista masculina com o feminino. Ali está estampada a carne à venda, tal como os cremes anti-sinais nas propagandas de revista de moda. A carne e somente ela, não diz acerca do feminino, que continua assombrando os homens e servindo de debate entre intelectuais, servindo de argumento de obras de arte (como esquecer a Monalisa, como não citar a moça do brinco de pérolas de Veermer?) desde que o mundo é mundo.
Quanto mais a sociedade do espetáculo despedaça a carne, menos se sabe sobre o feminino, como ele nasce e como se relaciona com o masculino. E assim...vivemos na base do eterno progresso-retrocesso...e isso desde que o mundo é mundo...

quarta-feira, outubro 25, 2006

Esquecendo bússolas




Depois da queda restam duas possibilidades: ficar caído lá no chão à espera de uma mão amiga que te erga, ou erguer-se por si mesmo, lenta, dolorosa mas, verdadeiramente. Depois da queda é mesmo levantar, erguer-se em cima dos joelhos, olhar para cima, porém, não esquecer de dar uma olhada para baixo, para aonde se estava caído há pouco.
Pode ser que demore um pouco, o certo é que a gente sempre levanta, sacode a poeira das roupas, dos solados e parte pra vida. Parte pra vida porque somos desejosos de ar (pelo menos a maioria de nós). É por sermos tão sedentos de ar que vamos em frente, saímos do chão frio e vamos em busca de novas direções. Interessante é seguir um novo percurso, desprovido de bússola. Esqueça o GPS e seja feliz, mude as rotas, e procure aproveitar os dias de sol, aproveitar os momentos alegres e ter a maturidade suficiente para sabe-los apenas momentos. Momentos que são, evanescem para se tornarem memória, pó do que foi um dia.
Como diz a sabedoria popular, não há bem que dure pra sempre, tampouco mal que nunca se vá, não sei literalmente, mas, a bem da verdade, o que quero dizer é que, momentos, tanto os bons quanto os péssimos, passam, necessário é ter paciência, pra ver o curso das marés mudar, pra acompanhar a lua mudar, pra enxergar o sol de todo dia nascer, todo dia, impreterivelmente, por que disso temos certeza, ele vai nascer.
Eu tenho andado ao leo, sem bússola, sob o sol, esperando o curso da vida mudar, e me interessando pelas surpresas que a vida ainda me reserva. É tudo o começo de algo que não sabemos no que vai dar, e daí a única certeza: o sol nasce todos os dias, a escolha é apenas sua: se jogar no chão e deixa-lo ir, ou erguer-se, levantar a cabeça e comtemplá-lo.