quarta-feira, agosto 13, 2008

O cantor de barzinho



Fiquei aqui pensando sobre o que pensa o cantor de barzinho. Vamos ser sinceros, poucos se interessam em escutar quem está tocando em tal bar, o que está tocando e mais, muitos inclusive reclamam por serem persuadidos (pra não dizerem obrigados) a pagar o tal "couvert artístico".

Não foi uma vez. não foram duas que eu ouvi algum comentário maldoso acerca do cantor de barzinho, seja devido ao seu repertório, seja devido a sua voz.

O certo é que, na falta de alguém mais interessante para criticar, na falta do que fazer, preferimos falar do cantor de barzinho.

Há alguns mistérios cercando essa entidade tão comum nos dias atuais, essa pessoa que alegra ou entristece - dependendo do ponto de vista - o dia das pessoas que, despretensiosamente, decidem ir a um barzinho, comer um petisco e conversar com amigos.
Eis alguns dos mistérios:


No que o cantor de barzinho pensa enquanto toca?


Veja você, ponha-se no lugar do pobre coitado: Ele está ali, cercado de gente que não presta atenção nele, observa as pessoas em grupo, comendo, rindo , namorando e discutindo. Já ele...ele está ali, numa espécie de isolamento, sentado em um banquinho, junto a uma mesa vagabunda na qual pode-se ver um copo d'água. Em alguns bares mais decentes oferecem cerveja ou refrigerante.

Mas, no que pensa aquele ser que está ali sozinho, com seu violão? Solitário, na vida boêmia, não lhe resta muito a não ser observar os frequentadores do bar e tocar seu repertório chatíssimo de MPB.

Começa a sessão Djavan, porque não pode faltar " E o meu jardim da vida, ressecou, morreu, no pé que brotou Maria, nem margarida nasceu". Ouve alguns aplausos e é com isto que ele tem que se contentar.

Não sei se o cantor de barzinho pensa nas pessoas que, empolgadamente, cantam junto com ele, ou então esboçam alguma reação ao ouvir os primeiros acordes da música preferida.

Na verdade já ouvi um cantor de barzinho se irritar com um senhor muito folgado que, desesperadamente, tentava convencê-lo a tocar "Oceano". Ao que minha experiência indica, parece que para ser cantor de barzinho, o sujeito deve fazer um curso intensivo de Djavan, Cazuza e Ana Carolina. Ou você aprende uma ou duas músicas de cada ou jamais será um cantor de barzinho decente.


Alguém percebe o erro do cantor de barzinho?


Essa é difícil. Levando-se em consideração que o cantor de barzinho é um ser solitário em seu banquinho (rimou), e que as outras pessoas estão mais preocupadas com suas conversas e refeições do que propriamente com o que está entrando em seus ouvidos, arriscaria dizer que o cantor de barzinho é uma figura criativa no que se refere às melodias e letras de música. Ele mesmo, visto não lembrar de um determinado acorde, põe-se a inventar um lá ou um dó aonde não tem e pronto, eis a nova música.

O mesmo acontece com a letra. Canso-me de ouvir contribuições originais a composições do Cazuza ou mesmo de Chico Buarque toda vez que vou a um barzinho cuja atração é "música ao vivo".

Se você não estiver tão preocupado com o que come ou com sua conversa, saberá apontar a invenção original do cantor de barzinho. Sou a favor que se desmascare tal enrolada, somente para ver a criatura pacata, herdeiro da bossa nova de João Gilberto e amante da boa MPB desconcertar-se, seria interessante apontar algum erro com a única intenção de auxiliar o cantor a concentrar-se mais na tarefa do entretenimento a qual se presta.


Será que tem fome?


Isso daria uma pesquisa. Observe: Ele está ali, num ambiente em que a comida é a atração principal, devendo, portanto, portar-se como "extra" ou um "plus" do tal restaurante/bar. Ora, não é à toa que não se diz "Música ao vivo e comida" e sim "Comida e música ao vivo". Dito isto, é notório que a atração é a comida, o atendimento, o ambiente e , também, o fato de o local oferecer música.

Então está ali a figura solitária, entoando os versos "Vem me fazer feliz porque eu te amo...", seu olhar involuntariamente pousa num prato de batatas fritas da mesa ao lado, percebe então que daria um dedo para poder beliscar aquela batata crocante, amarelinha e suculenta. Porém, ossos do ofício: Não pode, veio ali para tocar e entreter, comer é secundário, no exercício da profissão.

O máximo que pode fazer, no caso de fome extrema, é tentar educar seu olhar para um ponto fixo, uma parede, um coqueiro, uma pilastra, qualquer ponto, enfim, que o livre das tentações gastronômicas.

Outra medida seria a sublimação: Cantar para esquecer. Proponho trocar "Oceano" por "Te devoraria" , ambas sao do Djavan e cantor de barzinho que não toca Djavan não pode ser chamado de cantor de barzinho.


O que inspira um cantor de barzinho?


Outro grande enigma. Como já foi dito anteriormente, é bem provável que as pessoas não prestem atenção no cantor posto que a comida e as companhias, na maioria das vezes, são mais interessantes do que aquela figura solitária renascida dos anos 50 (quando tem o bom gosto de ser amante da Bossa Nova). É sabido que quase ninguém presta atenção se a letra é errada em algum momento, muito menos se algum acorde foi inventado. Fato é que o sujeito que tem um violão e 10 dedos para manuseá-lo jamais estará em perigo em se tratando de MPB: invente qualquer coisa, dedilhe e cante Cazuza. Na dúvida, toque Legião Urbana, "Será" é uma boa pedida.

Bem, que seja. O que importa é tentar entender o que serve de inspiração para o cantor de barzinho. Será uma mesa muito animada que chama a sua atenção? Será que, no fundo, espera reconhecimento por parte das pessoas que estão "escutando" sua música? Não sei qual é a inspiração, mas acredito haver alguma. A vida é muito solitária e triste se não a temos, e todos, até mesmo o cantor de barzinho merece alguma. Sua vida é boêmia, noturna, certamente tem alguma inspiração, não o subestimemos.


Como será que reage a pedidos de música?


Então a criatura está lá, em seu banquinho, com seu violão, desviando seu olhar da batata frita suculenta da mesa ao lado, procurando sua inspiração maior e, ao mesmo tempo, atento para não errar tão feio os acordes e as letras das músicas as quais se propõe cantar quando ouve alguém gritar " - Toca Yolanda!". Geralmente são as músicas mais odiadas pelos cantores aquelas que a "platéia" pede "bis". Isso é cientificamente comprovado (estou brincando).

Por um lado, suponho que o cantor de barzinho fique feliz: finalmente alguém reconheceu seu talento ou, melhor dizendo, finalmente alguém mostrou-se atento a sua música, só por esse motivo, deve prestar homenagem ao atento cliente e tocar a música que lhe foi pedida. Mas, e se não aguentar mais? E se o cliente estiver completamente alcoolizado e não parar de pedir bis? Aí cabe o bom senso do cantor de barzinho: desvencilhar-se do chato de plantão sem ser mal educado.

Outra vez ouvi um caso exemplar: Um sujeito, fora de seu juízo normal, pedia desesperadamente para o cantor do barzinho tocar "Pais e filhos". O cantor inicialmente fingiu não escutar, tocou outra coisa. O sujeito então, com porções consideráveis de álcool até no suco gástrico, insistia e entoava os versos do refrão em voz alta: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...".
Percebi a irritação no semblante do cantor que, no momento, tocava Bossa Nova. Educamente, então, ao fazer o intervalo breve entre uma música e outra comentou: " - Veja, amigo, essa música já foi cantada, agora, espera o próximo show, hehehe".

Show? Por acaso ele acha que os 2m² que ocupa próximo a cozinha do bar deve ser considerado palco e que pode chamar aquilo que faz todas as quintas-feiras de show? com platéia e tudo? Não sei, aí é uma questão de "ego" e a vida me ensinou que, de acordo com nossos desejos mais secretos, podemos ser quem quisermos.

O que importa e que ressalto aqui é a educação e os bons modos do cantor que, se não fez a vontade do antipático sujeito, ao menos prestou-se a tocar outras músicas do Legião Urbana, mostrando ética e diplomacia.


Como se pode notar, o cantor de barzinho também tem coração, é uma pessoa, como eu e você. Sabe o que agrada e o que desagrada, tem fome, inspiração, aborrece-se. Tem sentimentos, enfim. Depois de duas ou três horas expediente, deve ser duro escutar comentários como " Mas eu ainda vou ter que pagar porque não sou surdo?" "Nossa, 7 reais de couvert artístico? Mas nem ouvi nada?".

É...Não é fácil viver de música nesse país. Melhor deve ser viver de futebol.


domingo, agosto 03, 2008

Homens que odiamos - Top 10


Hoje vim dar um ar de seriedade a esse blog. Finalmente, algo sério aqui, depois de tantas letras de músicas de baixo nível, de tanto falatório sobre orkut. Vamos falar coisas sérias, sobre um assunto de muito interesse para a comunidade científica (ou não). Durante algum tempo colhi informações acerca do comportamento amoroso masculino a partir do discurso de amigas, eis então que surge o resultado, o qual divido em tópicos , para mais didático ficar este singelo, porém, verdadeiro texto.
Deixo claro que o ranking segue a ordem de citações no discurso das mulheres questionadas. Nada aqui foi por mim alterado, mesmo que eu , em alguns momentos, quisesse fazê-lo. No mais, concordo em gênero, número e grau com o que escutei, portanto, dou as justificativas embasadas no que escutei (e também li) e na própria experiência, por que não?

1) Homem frouxo:


Variação do "homem sem iniciativa", "homem mole" e "homem leso". Todos foram citados, porém resolvi enquadrá-los na mesma categoria do "homem frouxo". É o tipinho que quer e não quer, que espera um convite para sair, e que não consegue, por mais que queira, falar quatro palavras tão simples como : Quero - sair- com - você.


Não importa o que aconteça, mulheres gostam de homens com iniciativa, que dêem a cara para bater (não literalmente, se bem que sempre existem os casos de masoquismo) e que saibam , sobretudo, ouvir um não, com calma. O que importa é arriscar: Quer - sair- comigo? ou Quer-namorar-comigo? ou Gosto-muito-de-você.
Se você for homem e estiver lendo isto, tente, treine na frente do espelho, ora, pra que tanto medo é apenas uma mulher, se ela não quiser, outras hão de querer sair com você, não é verdade? Então porque não arrisca?

Certo dia me falaram: "estou esperando seu convite". Por que? Por que cargas d'água eu vou chamar um homem pra sair? Tudo bem, hoje em dia prega-se muito a noção de que as mulheres ultrapassaram muitas barreiras e que não necessariamente precisam ser mandadas, submetidas ao poder masculino.

No entanto, porque não convidar? Por que a mulher, agora, deve fazer tudo, inclusive chamar para sair? Veja, você, se consegue compreender: Nos contos de fadas , é "Bela Adormecida", "Rapunzel" , "Cinderela", entendem? Não são homens, você não usa sapatinho de cristal e também não vive numa torre a espera da Princesa. Captaram? Nos contos as mulheres esperam, e, por mais que os tempos tenham mudado, por mais que me chamem de machista, uma mulher também quer ver iniciativa. Acho que hoje em dia Cinderela e Rapunzel teriam elas mesmas que descer do "salto" e escalar a torre, e matar dragões e salvar vidas...se fosse depender dos homens, morreriam a espera.


2 ) Homem vaidoso:


Também citado como "homem cheio de guéri-guéri" , "homem que se acha" "homem metido a merda". Esse é o segundo no top 10. Realmente um tipinho odioso. Se tem orkut, certamente está nas comunidades: "Solteiro sim, sozinho nunca", " Mulher se trata com carinho" e "Eu tenho a pegada". Esses é o famoso " homem-arroz-de-festa": está em todos os lugares, tem milhões de amigas dispostas a massagearem seus egos quando assim quiserem , atiram para todos os lados e não se importam com o que as pessoas sentem/pensam. Sim, eles têm o mundo aos seus pés e você será mais uma a entrar na estatística, bonitinha.


3) Homem mentiroso


Algo pior? Somente os dois enquadrados nas categorias citadas acima. Sim. É aquele a quem você pergunta "E aí, e o final de semana?" e ele responde: "Nada, vou ficar em casa como sempre, sou muito tranquilo", quando, na verdade, já tem cinco ou seis histéricas disputando a vaga de primeiro lugar na fila. Geralmente o homem mentiroso é aquele que te diz coisas do tipo: "Olhar pra outra como, se só tenho olhos para você?" " Você realmente chama minha atenção" ou "Você é diferente". Não se engane, você é a diferente daquele dia, amanhã será a outra, e assim sucessivamente. "Homem mentiroso" também pode ser considerado sinônimo do "Homem que conta vantagem".


Quem não conhece aquele tipo que chega e diz: "Poxa, hoje sai para a balada e só não 'peguei' mais porque não quis"? Eu fico na dúvida entre o galinha convicto , que assume as peripércias e entre o que diz "sou tranquilo demais". Sinceramente? Estou pendendo mais para o tipinho da balada do que para o sujeito sempre muito tranquilo que, de repente, não mais que de repente, está por aí, destilando sua "tranquilidade" em outros ouvidos.




4) Homem sem cultura


Conhecido como "burro" ou "ignorante", essa classe de homem não tem conversa, geralmente se acha irresistível e, não satisfeito, acha-se tão inteligente que é incapaz de se interessar pelo assunto da mulher que "visa" conquistar. Em seu linguajar: pegar. É o tipo que é burro, não sabe que é e procura demonstrar que é um sucesso com as mulheres. Resta saber que tipo de mulher. Porque, obviamente, esse tipo pode fazer sucesso, deve se dedicar a malhar exaustivamente na esperança de que os músculos subam para o cérebro e assim torne-se alguém inteligente, com algo a acrescentar a alguém.

Cabe dizer que cultura está também em saber reconhecer que o outro tem algo a acrescentar. Homem burro é de lascar, provavelmente vá encontrar seu par por equivalência, a popular: gostosa e burra ( e talvez, também loira, para completar o pacote). No fim, se se reproduzirem, temo pelos filhos, e , em maiores proporções, temo pelo futuro da humanidade. Tudo isso por causa do homem burro.



5) Homem sem "pegada"


Essa foi também uma unanimidade. Pelo que escutei, essa seria o famoso "Homem-de-tevê". É aquele que é muito bonito de se ver, apenas. Exatamente, você vê a belezura ali passando, não olha fixamente porque não quer ser encarada assim, no meio da rua, seria uma situação um tanto vergonhosa. Mas, faz amizade, no outro dia encontra a mesma criatura vestida lindamente, com seus óculos um pouco velhos, com um ar desligado, cabelos esvoaçantes estilo propaganda de shampoo e pensa: "Esse realmente é muito para mim". Porém, como se fosse um golpe do destino, aquela criatura por você endeusada retribui seu olhar e mais...contrariando o primeiro tipo do ranking, chama-lhe para sair.

Infelizmente, qual sua surpresa? A criatura beija mal, toscamente pega em suas mãos e parece não entender aonde colocar as próprias. Nesse momento você percebe que era melhor não ter cruzado o seu caminho, era bonito, porém, apenas para se ver. Que nem o Gianechinni na propaganda de sabão em pó. Você sabe que está ali, que nunca será seu e isso, no entanto, é reconfortante. Imagine se você descobre que o Gianechinni tem bafo?não, não, melhor deixá-lo lá.


6) Homem fedorento


Bem, esse foi citado e eu acho que eu poderia perguntar a milhões de mulheres e todas diriam o mesmo: Não é questão de preferência, de odiar, é uma questão de higiene. Veja bem, se você é bonito, ótimo, não custa nada melhorar porque mulher adora cheiro bom, homem bem vestido e, sobretudo charmoso. Veja, se você também não for tão bonito, às vezes um cheiro bom é melhor do que um rostinho perfeito. O contrário? O contrário não existe. Você pode ser o Brad Pitt , o Jude Law, mas , fedendo, você não chegará aos pés da mulher mais horrenda da face da terra. Digo isso porque defendo toda a classe de mulheres e sei que, por mais feia que se seja , há que se ter orgulho e homem fedorento...homem fedorento não se deseja nem a sua pior inimiga.


7) Homem fofoqueiro



Realmente, coloque 5 mulheres fofoqueiras em frente a minha casa, mas não me apresente um homem fofoqueiro. Homem fofoqueiro é aquele que só se interessa por você quando você tem algo bombástico/chocante para dizer. Geralmente o interesse está em todas as partes, menos em você. É o tipo que boceja quando está conversando com você, mas, basta você dizer "Estou indo buscar uma amiga minha na casa da namorada dela" que a conversa engata, então, ele abre os olhos assustadoramente e fala: "Amiga? Namorada da amiga? Como assim?".

Não existe cafeína nem maracujina melhor do que você chegar e dizer "estou indo encontrar minha amiga lésbica". É dito e feito, a criatura vai se interessar por saber quem é esta sua amiga, se é muito amiga, como a conheceu. O homem fofoqueiro também se interessa pelo nível financeiro da sua família, gosta de saber o que você comeu e em que lugares vai. Também pode ser uma variação do "homem intereseiro", o que veremos a seguir.



8) Homem interesseiro


Se existisse um equivalente masculino, seria o "Zezinho gasolina". No entanto, o que descubro na pesquisa que fiz é que o interesse pode vir não apenas dos bens materiais que a mulher possua. Em outras palavras: Zezinho gasolina pode ser também o João-cdf, aquele que lhe procura, como quem não quer nada, para tirar uma dúvida sobre um assunto que o perturba, para fazer sua monografia de conclusão de curso, para aprender uma língua nova...Enfim os exemplos são vastos e vão além do interesse material. Outro dia ouvi um caso de um João-chef de cozinha. A criatura tratava a mulher como "amor" e "benzinho" somente quando lhe interessava inovar o cardápio.


9) Homem machista


Certamente é o pior dos tipos, apesar de não ter sido citado no ínício. É o sujeito que acha que mulher é propriedade privada - dele- e teme pelo seu bem-estar físico/moral, geralmente finge-se preocupado com a saúde da mulher/namorada/noiva/esquema e , com isto, reclama de suas roupas e de seu comportamento. Sou da opinião de que esses homens, no fundo, gostariam de usar decotes, saias curtas e, para disfarçar esse desejo começam a "tentar" proibir as mulheres de usá-los. No fundo o machismo é uma questão de orientação sexual mal resolvida.


10) Homem confuso


Sim. Porque não poderia faltar. Oh dúvida! Não sei se caso ou compro uma bicicleta.Geralmente o homem confuso não é o mesmo "homem sem iniciativa". Entenda. Ele até tem iniciativa, chama para passear, para o cinema, para a praia. O problema é quando isso tudo acontece, quando você está gostando do tipo confuso. Aí parece que acontece alguma névoa mental, a criatura perde os sentidos, subitamente perde a memória (existe casos assim, o tipinho perde seu telefone, esquece seu nome, é um problema realmente grave) e diz: Estou confuso. Geralmente o "estou confuso", vem seguido de "mas gosto muito de você" , " "você é a pessoa certa na hora errada". Enfim, se você é mulher e ainda não desistiu de ler este pequenino ranking, saiba que se um homem está confuso, em seguida ele te elogia.

Certo como 2 e 2 são 4: Confusao masculina = Outras mulheres no caminho. Saiba disso. Não existe confusão quando se quer, é tudo muito simples, ou é ou não é. Logicamente tem gente que ainda acredita na fábula da confusão mental masculina. A estas não dou mais conselhos.



Ao término dessa lista , sinto que muitos outros tipos por mim foram excluídos aqui, poderia fazer um top 50, top 60. No entanto, digo a todas as mulheres que me ajudaram a fazer esta listagem que, tenham paciência. Pode ser que apareça alguém interessante que não esteja interessado em seus dotes culinários, que tenha iniciativa para te chamar para sair, que use perfume, que não implique com suas blusas ou saias.Sim, ainda existe.

Podemos reclamar, mas é certo que todas ainda temos uma esperança - é a última que morre, e a minha já está dando os últimos suspiros - de encontrar alguém, que, de fato, valha a pena. Aí, quando a gente encontra, talvez até nem ligue de conviver com certos defeitos.

Conselho para os homens: Confiem em seus respectivos tacos, não importa quem seja a escolhida, tente, antes tentar do que desistir e ser chamado de frouxo. Quando gostar de alguém, valorize, não procure chifre na cabeça de cavalo, vocês não são o centro do universo.

Conselho para as mulheres: Sejam vocês mesmas e não tentem psicologizar tudo. Chega. As pessoas precisam de paz, vocês não são o centro do universo.


terça-feira, julho 29, 2008

Meu fake que tinha um fake



"O termo esquizofrenia refere-se a um conjunto de transtornos que abrange o que são, sem dúvida, os mais complexos e assustadores sintomas que jamais encontraremos. Os indivíduos com esquizofrenia podem ouvir vozes, pensar que são controladas por outras pessoas [...] acreditar que os outros estão conspirando contra eles ou expressar-se usando linguagem sem sentido"


David Holmes - Psicologia dos Transtornos Mentais



Pois é, e não se enganem. De acordo com Holmes, estima-se que 1 a 2% da população mundial sofra de esquizofrenia. No entanto, eu faço um alerta aqui: Esse número pode, de fato, aumentar muito no futuro se as pessoas continuarem a agir , realmente, como se tudo lhes fosse possível.

O que quero dizer é simples: Se você se chama Joaquim, tem 40 anos, é separado, não possui os dentes da frente e está desempregado, aceite que você, faça chuva ou faça sol, não deixará de ser conhecido como Joaquim, separado, desempregado, o que pode acontecer de diferente é que Joaquim pode arrumar um emprego novo, um casamento novo, consertar os dentes, porém, ainda assim, será o Joaquim, aquele de sempre.


Há sempre aquelas pessoas que, não satisfeitas com o que são, adentram, mesmo por querer, no fascinante mundo virtual e pré-esquizofrenizante do Orkut, o paraíso azul/roxo ( João me disse o que era mas ainda não sei, de fato, qual a maldita cor predominante). No orkut, como dito no texto que antecede este, você é sempre o que não pode ser ou não consegue ser. Assim, Joaquim pode omitir o fato de ser desempregado, de ser um fracasso entre as mulheres, e, até mesmo esconder os dentes verdadeiros ou disfarçar as obturações e cáries.


Deste modo, entra-se no universo "fake" do Orkut. Antigamente eu achava que faziam "perfis fake" aqueles que gostariam de bisbilhotar a vida dos narcisistas que se expõem alucinadamente, com o ingênuo intuito de, literalmente, se meter na vida alheia, ver suas 546 fotos, ler seus 500 depoimentos. Infelizmente e felizmente (sim, certo que terei uma boa e vasta clientela perturbada por uns bons anos) descubro que os "Fakes" viraram algo de muito real, uma existência própria nas quais as pessoas se tornam realmente o que desejariam ser, dessa forma, existem "comunidades de doação" de fotos para aqueles que desejam construir sua personalidade falsa.

As pessoas que levam mais a sério esse "jogo" pré-esquizofrênico , surtadas mesmo, levam às últimas consequencias a necessidade de viverem uma vida paralela a ponto de escolherem nomes, comunidades muito peculiares, roupas, passarem horas buscando fotos para construirem uma nova personalidade, quase nunca condizente com as próprias.

Pasmem: existem "fakes" que levam "amigas fakes" ao cinema, ao shopping. Nesse mundo paralelo as pessoas podem ter a idade que quiserem, trabalharem no que quiserem, se vestirem como quiserem. Ok, você poderia dizer, "ah, mas é apenas um jogo, bastante criativo, por sinal".


Eu não acho. Acredito piamente que se nasci me chamando Mírian, interesso-me por Psicanálise, bossa nova e Literatura, morrerei sendo essa pessoa, no máximo vou melhorando as edições de mim - espero - com o passar dos anos. Mas, e essas pessoas que levam tão a sério o universo fake? O que podemos esperar delas?

Bem, eu confesso que o prognóstico é sombrio, essas pessoas podem, como já foi muito pesquisado por psiquiatras e psicólogos, simplesmente entender que a vida real - esta que não é roxa nem azul - é enfadonha demais, preto-e-branco demais, sem graça demais. Risco? Vários: desinvestimento nas relações afetivas e sociais, falta de interesse nos assuntos "reais", transtornos de personalidade, de conduta, enfim, não preciso falar mais para sabermos que estamos diante de um problema de extrema gravidade.

No passado existia a classe dos "rebeldes sem causa", geralmente militantes do PT, candidatos a presidente dos diretórios acadêmicos das universidades, pessoas que se diziam diferentes da maioria, massa manipulável pelo sistema capitalista. Há um tempo atrás, não tão distante, existiam os Emo's, uma espécie de tribo adolescente em que as pessoas eram classificadas de acordo com seu interesse por temas emotivos e sentimentais em diversas áreas de conhecimentos/cultura. Os Emos, em resumo, eram os góticos dos anos 80, só que mais alegres ( Marina, obrigada pela definição).

Hoje, qual é minha surpresa ao saber que não existe mais a categoria dos Emo's! Vejam vocês, mal tinha me acostumado a distinguir as espécimes raras dessa fauna orkutiana/adolescente e fico sabendo, assim, sem nenhuma preparação anterior, que esses seres já estão em extinção, evanescendo do mundo, sumindo por aí, certamente em alguma nave espacial roxa decorada em sua superfície com lágrimas pretas.

Estamos na era dos "fakes", o que é bem mais preocupante do que se você simplesmente usasse roupas pretas e roxas, colocasse uma franjinha cobrindo seus olhos e usasse delineador todo o tempo. O problema está justamente na não-existência dos tais "fakes". Você pode fazê-los, um, dois, três, quantos quiser, conversar com pessoas "reais" ou também "fakes" quando lhe der vontade e, ainda assim, ser o mesmo, de carne e osso, o mesmo que é chamado durante as refeições pelos pais que, na maioria das vezes, mal sabem o que se passa no quarto dos seus filhos.

Com isto não quero eu fazer deste texto uma crônica para pais preocupados, tampouco desejo tomar partido destes nessa situação. O que está em jogo aqui não é uma questão moralizadora, mas um alerta, mesmo, em relação à sanidade mental dessas pessoas que simplesmente embarcam num jogo arriscado e perigoso demais, num mundo em que não existem mais limites entre o "isso eu posso" e o "isso eu não posso".

Eu sinceramente ficaria mais feliz se os adolescentes estivessem ainda pintando seus cabelos de azul ou roxo. Mas, e quando não existe uma existência? Quando você começa a se relacionar com pessoas fingindo ser, toda hora, o tal fake, para, em seguida, ter um outro fake, com outro grupo de amigos? É aí que cabe dizer que estamos numa sociedade "pré-esquizofrenizante".

Veja que universo gracioso: Eu sou fulaninho, tenho um fake que tem fakes e meu fake que conhece seu fake resolve ser amigo do seu fake. Fazemos entao uma reunião fake, com fotos fake de praias fakes, em que estamos comendo chocolates fakes e dançando músicas fakes. Quão maluco é isto?

Realmente, as pessoas não tem limites e o que tenho percebido é que, antes o que era um destino tem virado uma opção. Não sei mais qual é o maior risco: imitar os outros ou inventar uma vida que não existe e vivê-la.

Às vezes me parece que as pessoas estão enlouquecendo por opção, agora. Na falta de grandes problemas estruturais psíquicos, criam os seus próprios. Assim, meu fake pode sofrer de depressão, pode ser viciado em fluoxetina, pode ser maníaco depressivo ou hiperativo. Tudo é uma questão de escolha.

Pegue seu transtorno preferido - aquele que você conheceu semana passada no blog da globo.com - dê-lhe um rosto, um sobrenome e um endereço. Esta aí o passaporte para a esquizofrenia. Depois não vá reclamar quando seu fake começar a falar dentro da sua cabeça algumas coisas bastante esquisitas, quando ele começar a pedir comida.



quinta-feira, julho 24, 2008

Depois que inventaram o orkut


Depois que inventaram orkut:


Ninguém é feio :

Máquinas digitais e celulares com câmera estão a postos para a qualquer momento, mesmo que você esteja escovando os dentes, comendo beterraba com jiló ou simplemente, passando na frente de um espelho. O que é importa é a pose, portanto, incline-se diante da máquina/celular, faça biquinho e eis a foto nova. (Se ficar ruim, apague e tente 567 mil vezes).


Ninguém é carente:

Sim. Quem usa o "solteiro" do orkut? Finja, finja o que puder, mas não divulgue sua carência no seu orkut. Um bom método para esconder que você está sozinho, não encontra ninguém neste mundo com quem valha a pena conversar é omitir o status. É bem mais cômodo, deixa um ar de "enigma" e ainda esconde que você está desesperado para encontrar alguém, só não quer deixar tão claro assim.

Todo mundo é interessante:

Dize-me suas comunidades e eu dir-te-ei quem és. Eis uma verdade. No orkut vale tudo: se você pode entrar numa comunidade sobre Massagem Tailandesa, porque vai entrar numa chamada " Eu gosto de dormir"? Se você pode dizer que gostaria de aprender javanês, porque entrará numa chamada "Eu amo falar inglês"? Faça-me o favor, não é? Hoje em dia quem tem comunidades bacanas, tem tudo. Eis que surge um personagem e você tem que fazê-lo parecer real, o triste é quando saimos da frente da tela azul/roxa (perdoem-me o daltonismo) e estamos na vida real, gostamos de forró, usamos calça jeans como todo mundo e comemos arroz , feijão e batata frita ( que a mãe fritou).

Todo mundo é descolado:

Se você pode tirar fotos com uma galera, fazendo poses mirabolantes, pulando de edifícios, jogando futebol de madrugada debaixo de um viaduto, pulando corda, fazendo campeonato de cuspe à distância, porque diabos você tirará uma foto sozinho (a)? Porque diabos revelar que você vive, de fato, sozinho, pois, caso tivesse um milhão de amigos não estaria na frente do computador tentando aparentar que os tem.

Todo mundo tem milhões de amigos:

Claro. Você encontra o primo do amigo do seu irmão. Dá um aceno, ele acena também, você diz "Oi, como vai?", Próximo passo? Tá add!Engraçado, todo mundo é sociável neste mundo roxo/azul (nunca sei o que é de verdade, por favor, quem souber, me ajude!) então, se você deu oi para fulano, fulano respondeu, pronto, tá add!

Todo mundo tem síndrome de famoso:

Ai. Eu gosto de estar no orkut, mas, temo pela minha privacidade, vou bloquear minhas 4530 fotos porque só assim, só os meus 950 amigos poderã vê-las. É bom assim, não? estamos, de fato, protegido contra hackers inescrupulosos que irão invadir nossas máquinas e roubar aquela foto preferida (aquela em que estou contemplando o sol, com um ar de quem pensa) e colocar-nos em outros corpos, semi-nus, ou fazendo sexo animal/grupal/anormal com outras tantas pessoas. Não, de jeito nenhum, a partir de hoje as minhas 4530 fotos estarão com cadeados, pois é preciso nos proteger dessa comunidade hostil de hackers que tem o único propósito arruinar minha vida e minha reputação.

Todo mundo tem gosto musical refinado:

Sim. É o velho pensamento. Se eu posso baixar o álbum de uma banda norueguesa de Folk Music, com influências hindus e leves toques de sons aborígenes australianos, porque eu vou dizer que curto "Victor e Léo". Não! Jamais. A não ser que você seja conhecidíssimo como uma criatura sertaneja, daqueles que usa bota e chapéu de couro, baixe o álbum da tal banda norueguesa, ouça uma música ( porque, vamos falar a verdade, da 2 em diante o som é insuportável, a gaita de fole é inaudível e você até já se arrependeu de ter baixado essa desgraça) e pronto! Você já pode entrar na comunidade "Eu amo música norueguesa de Folk Music com influências hindus e leves toques de sons aborígenes australianos".

Todo mundo ama o pai/mãe

Ah! Não poderia faltar em meu orkut essa homenagem singela aos nossos queridos pais! Mesmo que você viva trancado em seu quarto ouvindo músicas escrotas/bizarras (para entrar em comunidades igualmente escrotas/bizarras) , não dê a mínima para quando te chamam para almoçar. Entre em uma ou duas comunidades meigas do tipo "Amo minha mãe" ou "Amo meu pai". É sempre bom dar um toque sensível em seu orkut, isso atrai homens/mulheres, pode fazê-lo mudar o status de relacionamento (hahahaha, sim, esse é o objetivo de muita gente que tem orkut) e ainda dá uma amenizada nesse seu gosto musical eclético, mostra que você tem coração, ama seu pai e sua mãe apesar de ouvir música folk norueguesa.

Ninguém é de ninguém

Veja bem: Se você pode adicionar 546 mil mulheres, encontrar cada uma mais bonita que a outra (vide a foto inclinada fazendo biquinho que fulaninha postou) e mais interessante que a outra ( note que fulaninha, além de lindíssima , gosta de rock norueguês e veste-se com a última moda parisiense). Porque diabos você vai ficar só com uma? Conversando as mesmas coisas? Ouvindo as mesmas músicas? Faça-me o favor. O mundo corre, o orkut é vasto e eu acho que é por isso que um romance orkutiano, tem , no máximo 15 dias de validade. Logo você será mais uma e reze para não ser excluída/bloqueada (ainda escrevo um texto sobre esse tema!).

Todo mundo ama todo mundo

Sim. E o que são os depoimentos que não sinceras e honestas declarações públicas de afeto? Claro que sim, você conhece fulano, gostou muito de passar as últimas 3 horas conversando com ele. Por que não um depoimento? Lógico! vou eu lá escolher as palavras: Ah fulano é o máximo, meu amigo do peito, coração de ouro, pode sempre contar comigo PARA TUDO, ouviu amigo? Esse cara é demais" É mesmo? Será? Será mesmo que você acha isso daquela pessoa? Então, leva pra tu! Fica com ele, desgraçado. Tu não fica, garanto.


E...para finalizar:

Ninguém beija mal
Ninguém tem "má pegada"
Ninguém acorda cedo
Todos são determinados
Todas as meninas são "para casar"

Nessas horas, Humberto Gessinger me dá razão: Ah, vida real, como é que troco de canal? Uma dica: Vá viver a vida lá fora, saia da frente desse computador, vá saber quem é de verdade e quem não é.

terça-feira, julho 22, 2008

Saudade: Meu remédio é rimar



Hoje, mas só hoje,

me permitam falar, daquilo que nos distancia e ao mesmo tempo nos une,
daquilo que é na memória e daquilo a que ninguém está imune

Hoje - juro que só é hoje - eu vou falar de Saudade.

A palavra que existe no dicionário, mas que nenhuma definição consegue abarcar.

Eita palavrinha complicada de se sentir mas tão fácil de falar.

É uma palavra por demais bonita, dizem que só existe no português.

Acredito que o coração magoado conhecem de longe os sintomas da saudade, pois dela é freguês.

Ele começa a apertar,
a doer sem dor explicável
e nem que se vá ao doutor
se resolve e se entende a causa da moléstia desagradável

Eu hoje me permito falar de saudade,
assim, nesse tom meio poético, meio faceiro,
porque entendo do riscado, apesar da pouca idade.

Saudade dói (e amarga que nem jiló)

E eu que não entendo de forró,
entendo que a dor da saudade é pior que dor de dente

E , contrariando muita mulher, digo que é pior que a dor de parir.

A dor da saudade é uma dor silenciosa, indecente

tal como um enfarto, se alastra, se sente o peito partir

se chora por dentro,

mesmo que se mostre os dentes por fora.

A saudade é um bicho danado

que não escolhe dia pra atacar

nem se acanha com previsão do tempo nem com tempo parado:

Faça chuva ou faça sol ela chega, toma parte de você,

Ocupa-lhe o peito e diz: " - Vim pra ficar, aonde liga essa tevê?".

A saudade vai ficando ali, senta-se no sofá e ,

quanto a gente menos espera, já está preparando nosso jantar.

E há aqueles que digam que não a sentem,

dizem ser conversa de mulher deprimida ou de homem traído - como mentem!

Eu digo que pra esses eu tiro meu chapéu,

queria eu ser como eles que dizem ter no peito o elixir pra o diabo da saudade sarar.

Como pra mim ainda não inventaram tal remédio, nem na terra nem no céu

padeço eu de Saudade que me molesta como uma febre, uma pneumonia

toma-me o peito, me faz esquecer quem sou, se é de noite ou se é dia

Ela chegou sem pedir licença, bateu a porta e está ali , reinando no meu fogão

" -Vá fazer comida, saudade, que se você veio para ficar, ao menos me alimente

E que me faça carinho e que me contente!"

Como eu invejo aqueles, pra quem eu tiro o chapéu e dizem não senti-la, nem seu cheiro

mas, meu senhor, não me diga, que já inventaram o tal elixir

Por que a dor é grande, mas, cá comigo , não é questão de dinheiro

Deixa ela ficar, porque aqui dentro eu sei que, assim,

Nesse peito adoentado, bate um coração

que bate só em nome dela e isso até o fim

Por isso não me cure

Deixa ela ficar,

Deixa ela cozinhar e se deitar

Porque a saudade pode aborrecer

Mas nunca vai deixar
De me fazer cafuné, me embalar
e segurar a minha mão prá escrever.

E , de quebra,
senão bastasse ser bela e menina
Ainda me faz escrever isso tudo em rima
Ah, sabe de uma coisa?
Não quero elixir
Que pior dor não deve existir
do que a de ver a tal Saudade partir.

terça-feira, julho 15, 2008

O lado B das expressões cotidianas ou dicas para viver em sociedade


Nesse mundo em que vivemos, diante de tantas atrocidades que vemos por aí, diante de tanto desrespeito aos direitos humanos, às instituições familiares, às autoridades parentais estamos sempre um tanto indefesos. Não sabemos o que pode nos acontecer se, por algum acaso do destino, algo/alguém nos atingir. É pensando nisso que me preocupo e me comovo e também escrevo algumas sugestões, conselhos mesmo, de como viver a vida de forma mais segura e tranquila, mesmo que estejamos no mundo atual.

Considero que uma das formas de se proteger da babaquice atual é munir-se de ironia. Sim, ironia de manhã, ironia com café, ironia com suco de uva e ironia de madrugada. Use-a sempre, de forma inteligente e estarás a salvo das atrocidades que poderiam (Poderiam!) atingir-te. Interessante é notar que a ironia é a melhor defesa, porém, para ser um bom estrategista é necessário desmontar a estratégia do outro. Em outras palavras: ironia com ironia se paga, por isso, fiquemos atentos quando:


1) te chamarem de "Meu bem":


Não seja inocente. Note que as pessoas que te chamam de meu bem são geralmente desconhecidos, atendentes em alguma loja, caixas de banco, pessoas comuns que estão na sua frente em alguma fila, vendedores, enfim. Quem te chama de meu bem, quase sempre, é alguém com quem você não tem vínculo de amizade algum, então, por que diabos você seria o bem dessa pessoa? Você a conhece profundamente pra dizer que sua existência seria considerada o bem dela? E se for o mal? O que acarretaria ser o mal de alguém? Isso quer dizer que se você estivesse, numa situação hipotética, pensemos, alvejado num tiroteio e estivesse com tal pessoa, um ladrão armado viesse, olhasse para vocês e dissesse: " - Olha aqui, vou matar um dos dois, escolham quem vai pro andar de baixo", a pessoa diria " - Não, mate-me primeiro! Fulano é meu bem! antes eu do que ele".

Não seja tão ingênuo. "Meu bem" é falsidade, e , se a pessoa for inteligente, é ironia. Ninguém é o bem de ninguém, e, se alguém te chamar de meu bem e essa pessoa não estiver sendo irônica, desconfie. Além do mais, deve ser chato demais ser o bem de alguém. Mas o que é o bem? As perguntas parecem não mais acabar.


2) te chamarem de Meu filho/Minha filha


Não sei se já perceberam, mas quase sempre que você é chamado de meu filho ou minha filha quer dizer que: a) você é burro e não fez alguma coisa direito b) você irritou alguém profundamente contando-lhe verdades. É batata. Nunca vi algo tão verdadeiro como isto. Observe: Você está na fila de um banco na qual passou os últimos 45 minutos até que, felizmente, chega a sua vez de dirigir-se ao caixa. É quando o quase-sempre-anêmico bancário atrás o balcão diz: "Não meu filho, não é aqui não, depósitos só no outro lado". Ou seja, o que a pessoa quis dizer é : "Seu burro, é ali, viu antes não?". O outro exemplo pode ser dado quando você, no meio de uma discussão acalorada consegue manter-se controlado e diz para a pessoa surtada: "Cuide-se, fulano, vá ser feliz". Ora, quer algo mais irritante que isso? " - Meu filho, eu sou feliz, tá ? Você é que não é", pode apostar, essa pessoa é tudo, menos feliz.

Note que nesses dois exemplos ninguém aqui é pai ou mãe de ninguém. Não seria realmente dos pais que ouvimos a maioria dos "meus filhos" e "minhas filhas" por aí. Eu fico aqui pensando: Se a expressão é citada, na maioria das vezes, nessas situações de hostilidade, o que seria um filho para um pai? Um burro que não sabe de nada, uma pessoa que vem esfregar as verdades? Não, meu filho, por favor , né?


3) te chamarem de "Vida"


Desconfiem! Muito. Desconfie de algúem que te chame de "Vida". Se você tiver a auto-estima elevada certamente vai se comover e pensar: "Poxa, sou tão importante, sou a vida de fulano". Porém, e se a auto-estima de fulano for uma droga? "Pqp, como pode ser eu a vida daquele ser miserável que só me procura pra contar desgraças, tragédias e afins? Por que eu? Meu Deus!Eu sou a vida dele (a)...Imagino como sou miserável e patético.

Se você for romântico em excesso, advirto: Ninguém é a vida de ninguém, caso o fosse, a cada coração partido teríamos dado nossos últimos suspiros. Imagine se a cada "vida" que se fosse realmente morrêssemos...nem o gato, que tem sete, seria páreo para nós.


4) te disserem "Eu te amo"


Sim, depois da invenção da televisão o "eu te amo" foi banalizado de uma forma que qualquer um pode ouvir uma "declaração" com direito a trilha sonora ao fundo - tal qual um folhetim. Porém, cabe a nós, ligados que somos nas crueldades cotidianas, entender que, no melhor dos casos a pessoa gosta muito de você.

E no pior? No pior a pessoa é canalha/cretina/sacana/falsa/irônica e quando diz que te ama , no fundo, quer dizer "te odeio". Portanto, desconfie de um eu te amo e , se você não quer magoar , diga apenas "Hahaha, ok! também gosto muito de você", pois isso evita maiores julgamentos sobre a índole de quem está falando, não perca tempo pensando se a pessoa é falsa ou ingênua.


5) te disserem "Vou me matar"


Seja honesto agora: Quantas pessoas que você conhece se mataram? Claro, sempre existem pessoas que, cansadas e enfadadas da vida terrena, estão esperançosas que lá do outro lado - seja céu ou inferno ou sete palmos abaixo da terra - algo de melhor está lhe aguardando, essas são realmente pessoas otimistas.

A bem da verdade, ninguém que diz que vai se matar se mata, de fato. É como escrever um bilhete suicida e lê-lo antes do golpe final. Mentira. Quase sempre é chantagem e você pode responder: "Ah é? Vai se jogar do 8º andar por minha causa? Então tá, dá um tchauzinho quando passar pela minha janela, certo?". Uma outra alternativa de resposta pode ser : " Então pula, desgraçado!". Garanto que a coragem vai pras cucuias essa hora. Entenda: É pura chantagem emocional. Suicida que se preza vai lá e morre, acabou-se, mata-se, não fica anunciando antes da cena fatal.

Outro dia encontrei alguém que me disse que ia se matar por minha causa. Estava rindo, serelepe e de namorada nova. Pensei aqui comigo: Já reencarnou?


6) te disserem "Entendo..."


Na maioria das vezes a pessoa não entende, está de saco cheio de ouvir lamentações - quase sempre as mesmas e diz que te entende por pura falsidade. A pessoa que diz te entender é quem mais quer se livrar de você e naquele momento em que você a inunda com suas bobagens sentimentalóides o que o outro está é blasfemando internamente contra você : "Mas que diabos, ele(a) não pára de falar...o que eu faço? Como eu queria fazer minhas coisas, ir a praia, pegar um cinema, e aquele filme vai sair de cartaz...poxa mas eu estou aqui, bancando o amigo, vou dizer que entendo ele numa tentativa de cortar a conversa...". Sim, o "entendo" significa "Já saquei que sua tara é vir aqui me encher os ouvidos com a ladainha de sempre de que ninguém te ama, ninguém te quer..eu entendo."

Se você estiver falando e seu interlocutor, por ventura, em um dado momento da conversa falar "entendo" , entenda você: você está falando demais.


7) te disserem "Estou com saudades"


Sou do tipo de pessoa que acredita que quando se está com saudade de alguém/algo vai lá e mata a saudade. Se alguém diz que está com saudades de você e - se não houver nenhum impedimento geográfico decente, o que equivale dizer mais do que 300km de distância - ainda assim não move uma palha para matar essa saudade, desconfie, o "estou com saudades" é falso, é apenas aparência e , se vier seguido de "vamos marcar de nos ver?" , pior ainda, acredite: Você nunca mais verá tal pessoa. Ah é? Tá com saudade? Tá mesmo? Então vem aqui, poxa, vamos matar essa saudade que nos consome, que nos aperta o peito e cala a voz? Vem aqui! Se a pessoa vier, pode ter certeza que ela está mesmo com saudade de você.

E se não vier? É porque achou que saudade é uma palavra bonita a qual você pode dizer para desculpar sua ausência. "Poxa, nunca mais falei com fulano, apesar de ser uma criatura desprezível, sinto-me em débito, vou dizer que tenho saudades, vou mandar um scrap, aí já me desobriga de ligar".


Pois é, o mundo é cruel e cabe a nós nos precavermos, estarmos sempre atentos ao discurso que ouvimos por aí e não nos deixar cair na tentação de não sermos irônicos. Portanto, abra os ouvidos e principalmente saiba a hora de falar e a hora de calar. Afinal, além de irônicos, temos que manter a elegância e o charme, não é, vida?

segunda-feira, julho 07, 2008

Ela é toda boa e burra


“O corpo é um escravo que devemos submeter à rigorosa disciplina da indústria da forma (enganosamente chamada de indústria da saúde) e um senhor ao qual sacrificamos nosso tempo, nossos prazeres, nossos investimentos e o que sobra de nossas suadas economias.”

Maria Rita Kehl



Pois é, e bem que a autora tem razão: o que vemos por aí é um desfile de patricinhas e peruas - seu equivalente mais velho - às voltas com os desejos consumistas e com as traquinagens industriais que a mídia nos joga no colo todos os dias: Renew 25+, Ultimate Rugas off, etc. e tal. No entanto, parece que no meio deste pardieiro em que se tornou a sociedade contemporânea, eis que surge uma luz, sim! E vinda da Bahia, quem diria?!

Acho pertinente demonstrar aqui o quanto algumas pessoas estão tocadas com a futilidade atual, com a tirania do corpo perfeito. Eis que surge Ivete Sangalo, sustentando um contra-ponto à lógica consumista-hedonista da sociedade contemporânea com sua já clássica "Toda boa".

Considerando a importância da música e sua função de protesto diante de tudo que se vê de mais ignóbil na sociedade capitalista, resolvi fazer uma análise aprofundada da mesma visando entender o paradigma baiano por trás de uma música que aparentemente, repito: Aparentemente é despretenciosa. Veremos que , na verdade, não é bem assim:



TODA BOA ( Comp. Indisponível)



1 ) Intro:


"O negocio é o seguinte minha gente...Vocês já me conhcem de cabo a rabo...De rabo a cabo... Quero dizer a vocês:Eu Sou Piriguete !Sou ou não sou?




Faz-se necessário apontar que a autoria da composição não está disponível no site em que procurei. Provavelmente se eu me dignasse a procurar mais acharia o autor da pérola em questão. No entanto, deixei assim mesmo para conotar o nivel de protesto implícito em tal música. O autor, certamente temendo represálias, resolve abdicar dos louros do sucesso para amargar a difícil posição de anônimo. Sabendo o quanto sua música está impregnada de revolta, parece uma solução sábia manter-se à surdina, longe dos holofotes. Prefiro crer nisso, como um bom argumento do que procuro demonstrar aqui, então deixo anônimo mesmo.

Essa é a introdução da música em que Ivete, sabendo-se possuidora de um corpo invejado pelas mulheres brasileiras, faz uso da sensualidade para se expor aos olhos públicos. Diz-se Piriguete, conceito já trabalhado aqui em outra análise do pensamento contemporâneo através da música do gênio McPapo.

É interessante entender que Ivete se coloca na posição de Piriguete, mulher nitidamente provocante e sensual; pode-se notar que esta posição é afirmada quando a cantora utiliza um chiste (uma piadinha, psicanaliticamente falando) de duplo-sentido, ressaltando o caráter sexual da anatomia feminina: "De rabo a cabo". Percebe-se que a intenção de Ivete foi trazer um cunho sexual à expressão "de cabo a rabo", ressaltando a parte posterior de seu corpo para deleite da platéia masculina, susceptível a todos os apelos referentes a esta região anatômica em especial.



2) E toda piriguete que se presa ela também é problemática!

É ou não é?agora uma coisa que eu tenho certeza...

É que eu sou toda boa"

Vê-se que, ao contrário do que foi revelado na parte inicial da composição, a vida de Piriguete não é uma vida fácil, tampouco extremamente positiva. De acordo com Ivete, há, sim, questões existênciais perpassando o inconsciente da Piriguete: Ora, Piriguete também tem inconsciente e, oxigenado ou não, este também é detentor de misérias, de problemas, denunciador de questões com as quais o sujeito não consegue lidar. Por isso, a problemática, definida sublinarmente como uma mulher histérica, também, apesar da beleza física e do cuidado com o corpo do qual tanto se orgulha, possui um outro lado menos bonito, mais verdadeiro talvez, o lado negro do inconsciente freudiano. Sim, a Piriguete é problemática, deve desmaiar nos lugares e temer a falta de identidade, a qual busca através do sacrifício do corpo. Maria Rita Kehl certamente foi inspiração para esta letra.

Apesar de todo o problema inerente à essência Piriguete, nota-se que, no fim das contas, Ivete regozija-se de sua condição. Essa postura extremamente positiva diante da própria existência é revelada no trecho " Eu sou toda boa", Boa, neste sentido, indica pessoa de aparência física exaltada pela comunidade masculina por sua exuberância das formas, a popular "gostosa". Ivete, não se deixando abater pelos possíveis problemas existênciais, demonstra estar satisfeita com sua condição de Piriguete, tendo, portanto, certeza de que agrada.



3) Pele bronzeada mulher brasileira a coisa mais linda

Chamada de avião corpo de violão a maior obra prima

Em todos os cantos do universo é ver várias delas brilhar

Fruto do pecado do homem que sempre quer desfrutar




O trecho acima revela o estereótipo-exportação da mulher brasileira exaltada nos quatro cantos do mundo: bronzeada, corpo escultural. De acordo com esta passagem, nota-se que a mulher a qual todos admiram e entendem como modelo de brasileira é aquela que passa boa parte do seu tempo dedicada à exposição aos raios U.V.A E U.V.B, objetivando assim um corpo "dourado", popularmente chamado corpo "da cor do pecado". A questão do feminino enquanto maldição masculina está implícita também na expressão "Fruto do Pecado".

Ao que se pode notar, como já foi antecipado, a letra parece inocente, apenas uma musica hit de verão, porém, vê-se que o autor que aqui preferimos deixar em anonimato, possui conhecimentos psicanalíticos, especialmente no tocante à posição do feminino na fantasia masculina: "Fruto do pecado do homem que sempre quer desfrutar". Ora, o que mais do que um astuto protesto sobre a condição feminina de objeto na fantasia masculina o autor quis dar a entender nesta frase aparentemente tão ingênua? Descobre-se, então, a princípio, a intenção real do autor: denunciar o caráter de objeto ao qual o feminino se presta na fantasia masculina: Comparada a um fruto, o feminino visa ser deglutido, "desfrutado" pelo prazer masculino.



4) É uma obra divina que nasceu para o nosso bem

E quem ama levante o dedo e grite:- Amém!

Maravilhosa os meus elogios não são á toa

Você é a água que mata sua sede

Mulher Brasileira é toda boa



Nessa passagem pode-se entender que o "nosso" revela o sexo do autor da música; é como se estivesse dizendo que o ser feminino nasceu para o "bem" masculino, é o que podemos, pelo menos, considerar. Outro ponto pertinente na canção é a aproximação do feminino a tudo que é divino, como o nome já diz, tudo feito por Deus. Aqui percebe-se a concepção teológica do autor em detrimento do argumento darwiniano, em outras palavras: o autor prefere acreditar na historinha bíblica de que a mulher nasceu de uma costela de Adão a considerar a origem das espécies a partir de um processo evolucionário. Fica evidente então que além de machista o cara ainda está um pouco ultrapassado em suas considerações...

Um ponto que se faz enigma: "você é a água que mata sua sede, mulher brasileira é toda boa". Sinceramente? eu tentei mas não compreendi: Sede de quem? O que o autor quis dizer com essa comparação do feminino à agua? Acredito que tenha sido mais uma sutilíssima alusão à Psicanálise. Se considerarmos a simbologia dos sonhos proposta por Freud, a água está relacionada a tudo que seja materno, logo, feminino. Isso, sem dúvida, é mais uma relação que podemos fazer; a mulher-água mata a sede, masculina, óbvio, sendo não apenas fruto a ser desfrutado pela comunidade masculina, mas também água e não me espantaria se virasse cerveja um dia, ou mesmo "água que passarinho não bebe". Vide Zeca Pagodinho e os comerciais de cerveja. Alguma relação implícita?



5) E toda boa ai ai

Ai ai ela é toda boa

Toda boa, toda boa,

quero ouvir as piriguetes

Ai ai ela é toda boa



Nesta passagem, que funcionaria como o "refrão" da música podemos notar o caráter sexual das interjeições "Ai", relacionadas com a exaltação da voluptuosidade do corpo feminino, a repetição apenas deixa mais claro isto: Toda boa, toda boa. Em seguida, Ivete incita a participação das mulheres identificadas como Piriguetes a cantarem acerca de sua condição feminina.




6) Auto estima fofinha tá toda delicia

Auto estima negona tá toda gostosa

estima coroa... auto estima negona

Auto estima gordinha...

auto estima ivetinha

Mulher Brasileira...



Nesta passagem da música encontra-se o contra-ponto mais explícito à concepção narcisista da sociedade contemporânea, talvez o momento em que o autor deixou sua real intenção de protesto escapar: Percebe-se as minorias como privilegiadas: Os tipos físicos considerados "diferentes" pela sociedade são exaltados em suas particularidades. Vide o "gordinha", relacionado ao "delícia". Assim, parece que nesta passagem em especial toda uma concepção narcisista da mulher bronzeada, fruto do pecado, a do corpo violão é minorada, pois prevalece a idéia de que, mesmo que você seja gorda, tenha auto-estima, mesmo que não esteja mais fazendo parte da faixa etária considerada jovem, sinta-se bem consigo mesma.

Confesso que, a primeira vista, não entendi a tardia valorização das mulheres que não fazem parte do imaginário masculino. Serão elas também "toda boa"? E, se são, porque diabos exaltou-se o corpo violão anteriormente? A letra se torna confusa nesse ponto de vista, apenas atentei para a questão do protesto tardiamente, depois de várias leituras e análises a cerca da música. É preciso muita atenção para entender a real intenção do autor e não cair na crítica comum ao simplesmente dizer que a música é um lixo.



7) Toda boa, toda boa,

toda boa, toda boa

Ai ai, ela é toda boaToda boa,

toda boa ela é toda boaa

Ai ai ela é toda boa



A música se encerra com a já tradicional exaltação da voluptuosidade do corpo feminino. a expressão "Toda boa" é repetida incessantemente e , de acordo com a observação presencial feita nos shows em que a música é reproduzida, a dança rebuscada e repleta de sensualidade e movimentos provocantes acentua as formas do corpo-violão (algumas pessoas, no entanto, estando mais bem definidas como possuidoras de um corpo-não-tão-violão, determinadas que são, seguem ao pé da letra a incitação à auto-estima e dançam despudoradamente visando apenas o prazer efêmero de descer até o chão).


Ao fim dessa profunda análise de "Toda Boa", podemos notar que chegamos a mais questionamentos do que a conclusões rápidas e certeiras. Talvez tenha sido essa mesma a intenção do autor-anônimo: Chamar atenção, em tom de protesto, para o exagero do culto ao corpo, denunciar o preconceito social em torno das mulheres menos favorecidas fisicamente, trazendo uma nova concepção de beleza aos ouvidos da massa rebolativa.

Percebe-se, então, que o autor utilizou o mesmo recurso do McPapo, autor do "Funk da Piriguete: Fingir estar adequado aos padrões atuais de beleza-juventude-magreza ao criar uma composição com o nome de "Toda boa", mas, na verdade, denunciar a tirania da sociedade: Ele só deixa evidente seu caráter de protesto no trecho em que encoraja a auto-estima das mulheres não convencionalmente belas e/ou boas. Em outras palavras: é um gênio que, temendo represálias, prefere fingir um adequamento à sociedade hedonista a defender agressivamente seu ponto de vista - o mesmo fez Chico Buarque, nos tempos da ditadura.

Mas, aqui fica a questão, será que a Piriguete que rebola e geme: "ai ai ela é toda boa" tem noção do caráter de protesto implícito da música? Digo enfaticamente: Não, ela não sabe e ela só veio para dançar, ela é toda boa. Às vezes eu acho que cada sociedade tem o gênio que merece.